From mboxrd@z Thu Jan 1 00:00:00 1970 Received: from mail-ua2-f42.google.com (mail-ua2-f42.google.com [74.125.226.234]) (using TLSv1.2 with cipher ECDHE-RSA-AES128-GCM-SHA256 (128/128 bits)) (No client certificate requested) by smtp.subspace.kernel.org (Postfix) with ESMTPS id 3554F26FD97 for ; Thu, 1 Oct 2026 01:38:55 +0000 (UTC) Authentication-Results: smtp.subspace.kernel.org; arc=none smtp.client-ip=74.125.226.234 ARC-Seal:i=1; a=rsa-sha256; d=subspace.kernel.org; s=arc-20240116; t=1790818737; cv=none; b=IQuvT7h0DWPw8wVz8a6vrLvViidwk2MDODBXsG85AucBjoF5POmr0R753LDmC7QL7FcdxaJcTAhPAXrjrS2kSuvOXCYua9prGjId0hjs6gcZ7ib8IMJOfXMKViBTNe2QYtQ5uh5+eJzpbD8x9AUCo3ZABIQAjsxUOreNURBlqVc= ARC-Message-Signature:i=1; a=rsa-sha256; d=subspace.kernel.org; s=arc-20240116; t=1790818737; c=relaxed/simple; bh=cpGaJyYvEHcZ1oge85+Vhqy+EafiPJx68iuqL/9VXlU=; h=From:To:Cc:Subject:Date:Message-Id:In-Reply-To:References: MIME-Version:Content-Type; b=LLIq7eSOAnRVOAx1znKaDap0AXbe42UEPHFPhrTNU8DhAbS5br9XuxjyGqmwgEI1gmrfQVkEGMB9P68modJr8L+U4Gfmi5jm7fswwm6IFNTlyvRPF8115F4Z58CpgUlgrXquLZm+6lmjbmX4mWxyfkHG7X023igyWjX+Q0KzFic= ARC-Authentication-Results:i=1; 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Wed, 30 Sep 2026 18:38:53 -0700 (PDT) From: vinihsr To: Daniel Pereira , Jonathan Corbet Cc: Shuah Khan , Randy Dunlap , linux-doc@vger.kernel.org, linux-kernel@vger.kernel.org, Vinicius Henrique Subject: [PATCH v5] docs: translations: pt_BR: translate threat-model.rst Date: Wed, 30 Sep 2026 22:38:33 -0300 Message-Id: <20261001013833.29002-1-vinicius.m1821@gmail.com> X-Mailer: git-send-email 2.34.1 In-Reply-To: <20260923025148.35637-1-vinicius.m1821@gmail.com> References: <20260923025148.35637-1-vinicius.m1821@gmail.com> Precedence: bulk X-Mailing-List: linux-kernel@vger.kernel.org List-Id: List-Subscribe: List-Unsubscribe: MIME-Version: 1.0 Content-Type: text/plain; charset=UTF-8 Content-Transfer-Encoding: 8bit Translate threat-model.rst into Brazilian Portuguese, maintaining consistency with original formatting rules. And add it to the pt_BR process documentation index. Assisted-by: LLM Signed-off-by: Vinicius Henrique --- Changes in v5: - Changing "Kernel do Linux" to "Kernel Linux". - Standardized terminology ("violações de segurança", "temporização de eventos"). - v4: https://lore.kernel.org/r/20260928232540.51083-1-vinicius.m1821@gmail.com .../translations/pt_BR/process/index.rst | 1 + .../pt_BR/process/threat-model.rst | 259 ++++++++++++++++++ 2 files changed, 260 insertions(+) create mode 100644 Documentation/translations/pt_BR/process/threat-model.rst diff --git a/Documentation/translations/pt_BR/process/index.rst b/Documentation/translations/pt_BR/process/index.rst index 2c63d82bf..5c90edfad 100644 --- a/Documentation/translations/pt_BR/process/index.rst +++ b/Documentation/translations/pt_BR/process/index.rst @@ -78,6 +78,7 @@ gerenciamento de bugs e vulnerabilidades. :maxdepth: 1 Falhas de segurança + O Modelo de ameaças do Kernel Linux Problemas de hardware sob embargo CVEs diff --git a/Documentation/translations/pt_BR/process/threat-model.rst b/Documentation/translations/pt_BR/process/threat-model.rst new file mode 100644 index 000000000..c67f53f3f --- /dev/null +++ b/Documentation/translations/pt_BR/process/threat-model.rst @@ -0,0 +1,259 @@ +.. SPDX-License-Identifier: GPL-2.0 + +O modelo de ameaças do Kernel Linux +====================================== + +Existem muitas suposições sobre o que o kernel protege e o que não protege. +Essas suposições tendem a causar confusão nos relatórios de bugs +(:doc:`relacionados à segurança ` vs :doc:`não relacionados à +segurança <../../../admin-guide/reporting-issues>`), e podem complicar a +aplicação das medidas de segurança quando as responsabilidades por certos +limites não estão claras entre o kernel, as distribuições, os administradores e +os usuários. + +Este documento tenta esclarecer as responsabilidades do kernel neste domínio. + +As responsabilidades do kernel +------------------------------ + +O kernel abstrai o acesso aos recursos de hardware locais e a sistemas remotos +de forma a permitir que múltiplos usuários locais obtenham uma parcela justa dos +recursos disponíveis concedidos a eles e, quando o hardware subjacente permitir, +atribuam um nível de confidencialidade às suas comunicações e aos dados que +estão processando ou armazenando. + +O kernel presume que o hardware subjacente se comporta de acordo com suas +especificações. Isso inclui a integridade do conjunto de instruções da CPU, a +transparência da unidade de previsão de desvios e das unidades de cache, a +consistência da Unidade de Gerenciamento de Memória (MMU), o isolamento de +periféricos com capacidade de DMA (por exemplo, via IOMMU), transições de estado +nos controladores, intervalos de valores lidos dos registradores, o respeito às +limitações de hardware documentadas, etc. + +Quando o hardware não consegue manter o isolamento especificado (por exemplo, +falhas na CPU, canais laterais, resposta do hardware a entradas inesperadas), o +kernel geralmente tenta implementar medidas de mitigação razoáveis. Trata-se de +medidas de melhor esforço destinadas a reduzir a superfície de ataque ou elevar +o custo de um ataque dentro dos limites dos recursos do hardware; elas não +constituem uma garantia de segurança fornecida pelo kernel. + +Os usuários sempre realizam suas atividades sob a autoridade de um administrador +capaz de conceder ou negar vários tipos de permissões que podem afetar a forma +como os usuários se beneficiam dos recursos disponíveis ou o nível de +confidencialidade de suas atividades. Os administradores também podem delegar +todas ou parte de suas próprias permissões a alguns usuários, particularmente +por meio de capacidades (capabilities), mas não apenas. Tudo isso é realizado +por meio de configuração (sysctl, permissões do sistema de arquivos, etc.). + +O kernel Linux aplica um determinado conjunto de configurações padrão que +correspondem ao seu modelo de ameaças. As distribuições têm seu próprio modelo +de ameaças e vêm com suas próprias predefinições de configuração, as quais o +administrador pode ter que ajustar para melhor atender às suas expectativas +(flexibilizar ou restringir). + +Por padrão, o kernel Linux garante as seguintes proteções ao ser executado em +processadores comuns que possuem níveis de privilégio e unidades de +gerenciamento de memória: + +* **Isolamento baseado no usuário**: um usuário sem privilégios pode restringir + o acesso aos seus próprios dados por parte de outros usuários sem privilégios + que estejam executando no mesmo sistema. Isso inclui: + + * dados armazenados, por meio de permissões do sistema de arquivos + * dados na memória (as páginas não são acessíveis, por padrão, a outros + usuários) + * atividade do processo (o ptrace não é permitido a outros usuários) + * comunicação entre processos (outros usuários não podem observar os dados + trocados por meio de UNIX domain sockets ou outros mecanismos de IPC). + * comunicações de rede dentro do mesmo sistema ou com outros sistemas + +* **Proteção baseada em capacidades**: + + * usuários que não possuam capacidades elevadas (incluindo, mas não se + limitando a CAP_SYS_ADMIN) não podem alterar a configuração, a memória nem o + estado do kernel, modificar a visão de outros usuários sobre o layout do + sistema de arquivos, conceder a qualquer usuário capacidades que ele não + possua, nem afetar a disponibilidade do sistema (desligamento, + reinicialização, pânico, travamento ou tornar o sistema não responsivo por + esgotamento ilimitado de recursos). + * usuários que não possuam a capacidade ``CAP_NET_ADMIN`` não podem alterar a + configuração de rede, interceptar nem falsificar comunicações de rede de + outros usuários ou sistemas. + * usuários que não possuam ``CAP_SYS_PTRACE`` não podem observar as atividades + dos processos de outros usuários. + +Quando ``CONFIG_USER_NS`` está definido, o kernel também permite que usuários +sem privilégios criem seu próprio namespace de usuário, no qual possuem todas as +capacidades, mas com algumas restrições (eles não podem realizar ações que +tenham impacto no namespace de usuário inicial, como alterar a hora, carregar +módulos ou montar dispositivos de bloco). Consulte ``user_namespaces(7)`` para +obter mais detalhes; as possibilidades dos namespaces de usuário não são +abordadas neste documento. + +O kernel também oferece diversos recursos de solução de problemas e depuração, +os quais podem constituir vetores de ataque quando caem em mãos erradas. Embora +alguns deles tenham sido projetados para serem acessíveis a usuários locais +comuns com baixo risco (por exemplo, logs do kernel via ``/dev/kmsg``), alguns +exporiam informações suficientes para representar um risco na maioria dos casos, +e a decisão de expô-los é de responsabilidade do administrador (eventos perf, +rastreamentos), e outros não foram projetados para serem acessados por usuários +sem privilégios (por exemplo, debugfs). O acesso a esses recursos por um usuário +que tenha recebido permissão explícita de um administrador não constitui uma +violação de segurança. + +Bugs que permitem violar os princípios acima constituem violações de segurança. +No entanto, bugs que permitem uma violação somente após outra já ter sido +alcançada são apenas pontos fracos. O kernel aplica uma série de medidas de +autoproteção cujo objetivo é evitar que um limite de segurança seja ultrapassado +quando certas classes de bugs são encontradas, mas uma falha nessas proteções +adicionais não constitui, por si só, uma vulnerabilidade. + +Quais classes de problemas não são consideradas vulnerabilidades +---------------------------------------------------------------- + +No modelo de ameaças do kernel Linux, as seguintes classes de problemas +**NÃO** são consideradas vulnerabilidades do kernel Linux. No entanto, +quando se acredita que o kernel poderia ser melhor, eles devem ser relatados, +para que possam ser analisados e corrigidos sempre que razoavelmente possível, +mas serão tratados como qualquer bug comum: + +* **Configuração**: + + * kernels desatualizados e, particularmente, ramos em fim de vida útil estão + fora do escopo do modelo de ameaças do kernel: os administradores são + responsáveis por manter seus sistemas atualizados. Para que um bug seja + qualificado como uma vulnerabilidade, deve ser demonstrado que ele afeta + versões mantidas ativamente. + + * nível de compilação: alterações na configuração do kernel que estejam + explicitamente documentadas como redutoras do nível de segurança (por + exemplo, ``CONFIG_NOMMU``), ou destinadas apenas a desenvolvedores. + + * nível do sistema operacional: alterações nos parâmetros da linha de comando, + sysctls, permissões do sistema de arquivos, capacidades do usuário, e + exposição de interfaces privilegiadas que aumentem explicitamente a + exposição, seja oferecendo acesso não padrão a usuários sem privilégios, + seja reduzindo a capacidade do kernel de aplicar algumas proteções ou + medidas de mitigação. Exemplo: acesso de gravação ao procfs ou ao debugfs. + + * problemas acionados apenas ao usar recursos destinados ao desenvolvimento ou + depuração (por exemplo, LOCKDEP, KASAN, FAULT_INJECTION): sabe-se que esses + recursos introduzem sobrecarga e instabilidade potencial e não se destinam + ao uso em produção. + + * problemas que afetam drivers expostos sob CONFIG_STAGING, bem como recursos + marcados como EXPERIMENTAL na configuração. + + * carregamento de módulos explicitamente inseguros/quebrados/staging + e, de modo geral, qualquer uso de subsistema marcado como experimental ou + não destinado ao uso em produção. + + * execução de módulos fora da árvore ou forks não oficiais do kernel; + esses casos devem ser relatados ao fornecedor relevante. + +* **Excesso de privilégios iniciais**: + + * ações realizadas por um usuário que já possui os privilégios necessários + para executar essa ação ou modificar esse estado (por exemplo, + ``CAP_SYS_ADMIN``, ``CAP_NET_ADMIN``, ``CAP_SYS_RAWIO``, ``CAP_SYS_MODULE``, + sem que nenhum outro limite seja ultrapassado). + + * ações realizadas em um namespace de usuário que não contornam as restrições + impostas ao usuário inicial (por exemplo, uso de ptrace, envio de sinais, + uso de recursos, acesso a FS/dispositivo/sysctl/memória, vínculo de rede, + configuração do sistema/rede, etc.). + + * qualquer ação realizada pelo usuário root no namespace inicial (por exemplo, + um oops do kernel ao gravar em um dispositivo privilegiado). + +* **Fora do uso em produção**: + + Isso abrange ataques teóricos/probabilísticos que dependem de condições de + laboratório com ruído zero no sistema, ou aqueles que exigem um número + irrealista de tentativas (por exemplo, bilhões de tentativas) que seriam + detectadas pelo monitoramento padrão do sistema muito antes do sucesso, + tais como: + + * previsão de números aleatórios que só funciona em um ambiente totalmente + silencioso (como ID de IP, portas TCP ou números de sequência que só podem + ser adivinhados em laboratório). + + * observação de atividades e vazamentos de informações com base em abordagens + probabilísticas que são suscetíveis a ruído de medição e não são + realisticamente reproduzíveis em um sistema de produção. + + * problemas que só podem ser desencadeados por ataques intensos (por exemplo, + força bruta) cujo impacto no sistema torna improvável ou impossível + permanecerem indetectáveis antes de serem bem-sucedidos (por exemplo, + consumir toda a memória antes de ter sucesso). + + * problemas observados apenas em simuladores de desenvolvimento, emuladores ou + combinações que não existem em sistemas reais no momento do relato + (problemas envolvendo dezenas de milhões de threads, dezenas de milhares de + CPUs, frequências de CPU irrealistas, tamanhos de RAM ou capacidades de + disco, velocidades de rede). + + * bem como problemas que podem ser acionados a um custo que é ordens de + magnitude superior aos benefícios esperados (por exemplo, um emulador de + teclado totalmente funcional apenas para recuperar 7 bytes não inicializados + em uma estrutura, ou um método de força bruta envolvendo milhões de + tentativas de conexão para adivinhar um número de porta). + +* **Falhas de fortificação (hardening)**: + + * capacidade de contornar algumas das medidas de fortificação do kernel sem um + caminho de exploração demonstrável (por exemplo, contorno de ASLR, + temporização de eventos ou sondagem sem consequências demonstráveis). + Trata-se apenas de pontos fracos, não de vulnerabilidades. + + * falta de verificações de argumentos e falha ao relatar certos erros sem + consequências imediatas. + +* **Vazamentos aleatórios de informações**: + + Isso diz respeito a vazamentos de pequenas partes de dados que simplesmente + estão presentes e que não podem ser escolhidas pelo invasor, ou que enfrentam + restrições de acesso: + + * preenchimento (padding) de estruturas relatado por chamadas de sistema ou + outras interfaces. + + * identificadores, dados parciais, strings não terminadas relatadas em + mensagens de erro. + + * Vazamentos de endereços/ponteiros de memória do kernel não constituem um + vetor imediatamente explorável e não são vulnerabilidades, embora devam ser + relatados e corrigidos. + +* **Dispositivos e mídias em não conformidade**: + + Os drivers são implementados com base em uma especificação. Quando um + dispositivo ou mídia de armazenamento viola a especificação para a qual o seu + driver foi escrito, o mau comportamento resultante é um bug comum a ser + corrigido, não uma vulnerabilidade, a menos que o driver esteja + especificamente documentado como sendo fortificado contra entradas hostis. Os + seguintes casos, portanto, não são considerados vulnerabilidades: + + * bugs desencadeados pela montagem de uma imagem de sistema de arquivos + corrompida ou criada de forma maliciosa: a montagem de um dispositivo de + bloco é uma operação privilegiada (veja acima), e o administrador é + responsável pela mídia que ele monta. Isso inclui problemas que são + resolvidos, mitigados ou detectados pela execução de uma verificação de + consistência do sistema de arquivos (fsck) na imagem antes da montagem. + + * bugs cuja reprodução requer modificação de hardware ou emulação, + incluindo dispositivos USB falsos que se passam por outros, ou + dispositivos que relatam valores fora dos seus limites documentados. + +* **Acesso físico**: + + Problemas que exigem acesso físico à máquina, modificação de hardware ou o uso + de hardware especializado (por exemplo, analisadores lógicos, ferramentas de + ataque DMA via PCI-E/Thunderbolt) estão fora do escopo, a menos que o sistema + esteja explicitamente configurado com tecnologias destinadas a defender contra + tais ataques (por exemplo, IOMMU). + +* **Regressões funcionais e de desempenho**: + + Qualquer problema que possa ser mitigado pela definição de permissões e + limites adequados não se qualifica como uma vulnerabilidade. -- 2.34.1